Capítulo 9

9

O aprendiz ficou jogado no chão como um barril de saquê caído. Estava com braços e pernas contorcidos. A corrente estava bloqueando a circulação sanguínea e em todo lugar – face, torso – ele ficou com a pele inchada e vermelha. Yoshihide não estava nem um pouco preocupado com o rapaz, ele apenas circulava observando de todos os ângulos e esboçando. Se nada tivesse interrompido, esta provação teria se estendido por mais tempo, mas felizmente (ou infelizmente) uma cobra começou a se mover no canto do quarto. Ela se rastejou na escuridão até quase chegar ao nariz do aprendiz, que gritou “Cobra, uma cobra!”. Até Yoshihide, em toda a sua perversidade, deve ter sentido o horror desta ocorrência. Ele pegou a cobra pelo rabo, e gritou “Você me custou uma boa pincelada, maldito seja”. Então, colocou a cobra numa jarra. Daí, com uma óbvia relutância, libertou o aprendiz das correntes sem dizer uma palavra de simpatia. Ouvi dizer que ele tinha guardado a cobra para rascunhá-la também.

Uma terceira história é a de um aprendiz que foi chamado ao estúdio. Yoshihide tinha um pedaço de carne crua e alimentava um pássaro desconhecido, que era do tamanho de um gato, e tinha olhos grandes, redondos e coloridos como âmbar. Os olhos também pareciam de um gato.