Capítulo 4
4
Yoshihide era terrivelmente avarento, ele era rude no trato com pessoas, não tinha vergonha, era preguiçoso e ambicioso. Pior de tudo, era insolente e arrogante. Nunca deixava você esquecer que ele era o “maior pintor da região”. Um homem que foi seu aprendiz por muitos anos uma vez me contou esta história: Yoshihide estava presente na mansão de um certo cavalheiro quando surgiu uma mulher com espírito possuído. A mulher entregou uma mensagem horrível do espírito, mas Yoshihide não estava impressionado. Ele pegou um pincel e fez um rascunho detalhado da expressão selvagem dela como se ele visse a possessão como um mero truque.
Não impressiona que um homem como este cometesse sacrilégios no seu trabalho. Até os aprendizes estavam chocados. Conheço vários que, temendo por sua punição após a morte, imediatamente deixaram o trabalho.
Seu traço e cores eram muito diferentes dos demais. Tome como exemplo seu “Cinco níveis de renascimento no portão do templo Ryuogaiji”. “Quando eu passei pelo portão à noite”, uma pessoa disse, “Pude ouvir os celestiais mortos suspirando e chorando” “Isto não é nada”, clamou outro, “Eu pude sentir o cheiro da carne dos mortos apodrecendo”. “E sobre o retrato das serviçais que Sua Majestade pediu para Yoshihide pintar? Toda mulher que ele pintou caiu doente e morreu em três anos. Foi como se as suas almas tivessem sido sugadas pelo quadro”. De acordo com os críticos mais ferozes, esta era a prova final que Yoshihide praticava a Arte do Demônio.
Mas mesmo o Yoshihide, em toda a sua incrível perversidade, mostrava afeto humano quando se tratava de uma coisa.