Capítulo 2
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Yoshihide era famoso como o maior pintor da nossa terra, mas tinha chegado à idade de talvez cinquenta, e ele parecia um pequeno velho desagradável, pele e osso. Ele se vestia normalmente quando aparecia na mansão de Sua Majestade – em marrom avermelhado, robe de ceda com mangas largas, e um chapéu preto alto com uma dobra sutil à direita – mas como pessoa ele era tudo menos normal. Dava para ver que ele tinha um vestígio de avareza, e seus lábios, anormalmente vermelhos, davam uma impressão perturbadora, bestial. Alguns diziam que a vermelhidão vinha de misturar sua tinta com os lábios, mas não se sabe. Línguas más falavam que ele parecia e se movimentava como um macaco, e chegaram a dar a Yoshihide o apelido de “Macacohide”.

Ah, este apelido me lembra de um episódio. Yoshihide tinha uma filha, sua única criança – uma garota doce, amável bem diferente do pai. Ela tinha ido à mansão Horikawa como uma serva júnior da própria filha de Sua Majestade, a Jovem Senhorita. Talvez por ter perdido sua mãe muito cedo, ela tinha uma natureza madura e profundamente compreensiva para a sua idade, e todos de Sua Senhoria abaixo gostavam da garota por sua rapidez em notar a necessidade dos outros.
Nesse meio tempo, alguém da província de Tamba presenteou Sua Majestade com um macaco domesticado, e o Jovem Mestre, que estava no auge de sua perversidade infantil, decidiu chamá-lo “Yoshihide”. O macaco era por si mesmo uma criatura cômica, mas associar com este nome fazia todos na casa rirem alto. Oh, se eles apenas ficassem satisfeitos por rirem! Mas o que o macaco fizesse, as pessoas encontravam uma razão para atormentá-lo, e sempre com um grito de “Yoshihide”!
Um dia, a filha de Yoshihide estava andando por um longo corredor, e o macaco Yoshihide entrou pela porta deslizante, em fuga de algo. O animal estava mancando e não conseguia subir no poste como sempre fazia quando assustado. Então quem apareceu procurando-o era o Jovem Mestre, com um chicote e gritando: “Volte aqui, seu ladrão de tangerina!”
O macaco se agarrou às saias da filha de Yoshihide com um choro de dar dó. Isto deve ter aumentado a sua compaixão, porque ela escondeu o macaco na manga macia de ser vestido. Então, fazendo uma pequena reverência ao Jovem Mestre, ela disse com claridade firme, “Desculpe-me por interferir, meu jovem lorde, mas ele é apenas um animal. Por favor o perdoe”.
Com temperamento ainda da caçada, o Jovem Mestre franziu e bateu o pé várias vezes. “Por que você está protegendo-o?” “Ele roubou minha tangerina!”
“Ele é apenas um animal” ela repetiu. “Ele não sabe”. E, sorrindo tristemente, ela adicionou, “O nome dele é Yoshihide. Não posso ficar parada e apenas assistir ‘meu pai’ ser punido”. E isto foi aparentemente suficiente para dobrar a vontade do Jovem Mestre.
“Então tudo bem”, ele falou com relutância óbvia. “Se você está suplicando pela vida do seu pai, deixarei ele ir desta vez”.