Capítulo 12

12

Por esta razão, tenho pouco a contar sobre este período. A única coisa estranha foi que o velho excêntrico de uma hora para outra se tornou choroso. Um aprendiz me contou que um dia ele andava no jardim e viu o mestre de pé na varanda, olhando vazio para o céu, com olhos cheios de lágrimas. Não é estranho que este homem arrogante, que foi tão longe que rascunhou um defunto na beira da estrada para seus Cinco Níveis de Renascimento, poderia chorar como uma criança apenas porque a pintura do quadro não estava indo tão bem quanto ele queria?

De qualquer forma, enquanto Yoshihide estava trabalhando loucamente no quadro, sua filha começou a mostrar sinais incrementais de melancolia, estando sempre em lágrimas. Uma pálida, reservada, triste garota, ela adquiriu um aspecto pesaroso com cílios pesados e sombras ao redor dos olhos. Isto deu origem a vários tipos de especulação – que ela estava preocupada com o pai, ou que ela estava sofrendo as dores do amor – mas logo estavam dizendo que era tudo porque Sua Majestade estava tentando dobrar a sua vontade. Então os rumores pararam, como se todos tivessem se esquecido dela.

Um evento ocorreu neste período. Eu estava descendo um corredor quando o macaco Yoshihide veio do nada voando para mim e começou a puxar minha calça. Senti um misterioso calafrio que era apenas três partes, outras sete partes eram raiva de ter minhas calças novas estragadas deste jeito, e considerei chutar o animal e continuar o meu caminho. Mudei de ideia rapidamente, me lembrando do caso do samurai que caiu no desgosto do Jovem Mestre por ter atormentado o macaco. Além disso, pelo modo com que o macaco estava se comportando, havia algo errado.

Quando o corredor chegou numa esquina, ouvi sons frenéticos, porém abafados do que parecia uma briga numa sala por perto. Se fosse um intruso, resolvi, eu iria ensinar a ele uma lição, e segurando a minha respiração, cheguei próximo à porta deslizante.